Evidence-based nursing practice on wound healing by second intension - Systematized Literature Review

 

Prática de enfermagem baseada em evidência sobre cicatrização de feridas por segunda intenção - Revisão Sistematizada da Literatura

 

Valéria Pinto Matos. Enfermeira. Aluna do Curso de Especialização em Enfermagem em Cuidados Intensivos/ Universidade Federal Fluminense (UFF). valleriamatos@gmail.com

Profa. Dra. Isabel Cruz. Titular da UFF.isabelcruz@uol.com.br

 

Abstract:

Problem: Due to the overall movement related to patient safety, and the relevance of morbidity and mortality of patients hospitalized in intensive care units and with the aim of better understanding the most effective intervention for the client with lesions that require healing by second intention. Objective: To identify the most effective nursing intervention wound healing by second intension of the high complexity client.  Method: Ten articles were selected through the bibliographic databases PubMed, BVS, Medline e Scielo, publications from 2011 to 2018 and a systematic review of the national and international literature was used as criteria for inclusion: Full text available in portuguese and english, evaluated in relation to the strength of evidence and clinical relevance. Result: New studies are necessary for the discussion of treatment methods and results in seven days. Conclusion: Considering the evidence studied, it was concluded that despite the existing resources, healing by second intention in seven days represents a constant challenge for nursing professionals. Due to this fact, the technical training and responsibility of nurses in the evaluation and control of wound-related facts and data are paramount.  

Keywords: Nursing care; injuries; healing.

 

Resumo:

Problema: devido ao movimento global relacionado a segurança do paciente, e a relevância da morbimortalidade de pacientes internados nas unidades de terapia intensiva e com o objetivo de melhor compreender a intervenção mais eficaz para o cliente com lesões que necessitam de cicatrização por segunda intenção. Objetivo: Identificar a intervenção de enfermagem mais eficaz na cicatrização de feridas por segunda intenção do cliente de alta complexidade. Método: foram selecionados dez artigos através das bases de dados bibliográficos PubMed, BVS, Medline e Scielo, publicações no período de 2011 a 2018 e realizada uma revisão sistemática da literatura nacional e internacional, foram utilizados como critérios de inclusão: Texto completo disponível nos idiomas português e inglês, avaliados em relação à força de evidência e relevância clínica. Resultado: novos estudos são necessários para a discussão de métodos tratativos e com resultados em sete dias. Conclusão: considerando as evidências estudadas, concluiu-se que apesar dos recursos existentes, a cicatrização por segunda intenção em sete dias representa um desafio constante para profissionais de enfermagem. Devido a este fato, a capacitação técnica e a responsabilidade do enfermeiro na avaliação e controle de fatos e dados relacionados à ferida são primordiais.

Descritores: Cuidados de enfermagem; ferimentos; lesões; cicatrização.

 

INTRODUÇÃO:

Situação-problema: escassez de informação sobre a prática com base evidências científicas e suas diretrizes para o alcance do resultado de enfermagem cicatrização de ferida por segunda intenção para o (a) paciente de alta complexidade sob cuidados intensivos em, no máximo, sete dias de internação.

Considerando o movimento global pela segurança do paciente, a prevenção de lesões da pele são indicadores da qualidade assistencial. Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) alterações na pele são preocupantes, pois neste setor geralmente o paciente está hemodinamicamente instável, encontra-se sedado e tem alguma restrição de mobilidade, com isso normalmente a atenção a pele só é iniciada, quando a mesma já apresenta sinais de comprometimento. 1

O paciente internado na UTI requer grande esforço da enfermagem. Sendo estes profissionais a maior força de trabalho em saúde no Brasil, eles têm relação direta com a segurança do paciente e a prevenção de eventos, portanto a redução de riscos de danos a pele demonstra as boas práticas exercidas pela enfermagem.1

Neste contexto afirma-se que o enfermeiro está diretamente ligado ao processo de prevenção e cicatrização de feridas, uma grave dificuldade que envolve o sofrimento de paciente/ família e aumenta os custos hospitalares, uma vez que consome grande quantidade de recursos da saúde, tratando-se de um paciente com alto grau de dependência que requer tempo da assistência de enfermagem, e maior período de internação. 1

Alguns fatores podem contribuir para o aumento do custo na cicatrização da ferida, como por exemplo, diabetes mellitus, uso de antibiótico sistêmico, doença renal crônica e múltiplas comorbidades. 2

Em se tratando especificamente de cicatrização, quando não existe a aproximação de bordas da ferida a cicatrização ocorre por segunda intenção, exigindo maior tempo para cicatrizar devido à necessidade de grande formação de tecido de granulação, contração da ferida e epitelização. Atualmente existe alta prevalência de complicações de feridas, quando estas apresentam infecção e/ou deiscência, demandam cicatrização por segunda intenção. 2

A cicatrização de feridas constitui um grande desafio para a os enfermeiros e a equipe de enfermagem, o número de pessoas com feridas de difícil cicatrização é crescente, devido a isto a atenção do setor saúde e a enfermagem tem se voltado para pesquisas na área, justificada pelo impacto das lesões nas vidas das pessoas. O custo de tratamento de doenças relacionadas a deficiência cicatricial aumenta a busca de medicamentos e curativos capazes de interagir com tecido lesado. Contudo, é importante ressaltar que a literatura mostra que a melhor forma de se evitar altos custos destinados ao tratamento de lesões é investindo e educando as equipes para a prevenção. 3

Sendo a prevenção um foco, apresenta-se a dificuldade em se buscar evidências científicas na resolução da cicatrização de ferida por segunda intenção em curto período de tempo na prática assistencial.

Faz-se necessário um novo olhar do enfermeiro sobre o paciente com lesão de difícil cicatrização. Exigindo do enfermeiro maior cuidado na identificação dos fatores de risco e na implementação de intervenções. O perfil clínico do paciente, não é preventivo no diagnóstico de cicatrização por segunda intenção, demonstrando preocupação em tornar o paciente menos vulnerável a certos agravos, possibilitando cuidados e orientações intervencionistas de acordo com um plano de cuidados organizado.

O processo de enfermagem é um método organizado da prática, envolve fases e etapas interdependentes, sendo possível com esta estratégia o delineamento dos diagnósticos de enfermagem, que auxilia a equipe na definição de prioridades das ações. O uso dos diagnósticos de enfermagem favorece uma assistência eficaz e de qualidade.3, 4

Em conformidade com a crescente demanda de feridas, especialmente em pacientes que apresentam difícil cicatrização, a enfermagem se destaca por deter maior domínio do acompanhamento da evolução da lesão, e da execução do curativo. E deve ser capacitada a desenvolver ações buscando alcançar os resultados esperados do paciente e estratégias de educação para prevenir e tratar lesões da pele.4

Os diagnósticos de enfermagem permitem a percepção de interferências que impedem o processo cicatricial normal de uma lesão, por exemplo, longo período de permanência (internação)e dificuldade nos processos de epitelização devido a alteração nos tecidos adjacentes. Demonstrando que o acompanhamento sistemático do paciente com lesão de difícil cicatrização necessita do controle de complicações que podem ser provocadas por diversos fatores.4

O enfermeiro é o profissional responsável pelo processo de enfermagem, este profissional deve buscar novos protocolos e novas maneiras de avaliar e tratar a cicatrização da ferida por segunda intenção do paciente sob seus cuidados. 4

É relevante o papel do enfermeiro especialista em UTI como principal agente que realiza a identificação precoce, o acompanhamento da cicatrização da ferida, e que oferece cuidado adequado, além de esclarecimento ao paciente e família suprindo suas necessidades, físicas e sociais até a alta, prevenindo a reinternação.

Objetivo: revisar as diretrizes de enfermagem com base em evidência que ajudarão à enfermeira (o) intensivista na identificação de diagnósticos e prescrições de cuidados de enfermagem para o alcance do resultado cicatrização de ferida por segunda intenção, no tempo de sete dias.

Questão prática: com base em evidência, como otimizar o cuidado da (o) enfermeira (o) para que o (a) paciente de alta complexidade alcance o resultado da cicatrização de ferida por segunda intenção em, no máximo sete dias de internação?

 

Quadro 1 – PICO – Niterói, 2019

Acrônimo:

Descrição:

Componente da questão prática:

P

Paciente de alta complexidade & adulto/ idoso que apresenta cicatrização de ferida por segunda intenção.

Paciente de alta complexidade.

I

Diagnóstico e Prescrição/ Protocolo de enfermagem “Cuidados de feridas” (NANDA – NIC).

Cicatrização de ferida: segunda intenção - Cuidados com lesões.

C

Controle ou comparação ou integração com o tratamento do médico, fisioterapeuta, assistente social, etc.

Curativos para proteção da ferida e prevenção de infecções.

O

Resultado de enfermagem – NOC.

Cicatrização de feridas.

T

Máximo de sete dias de internação em unidade de alta complexidade.

Percurso crítico: sete dias.

 

METODOLOGIA:

Revisão integrativa da literatura, computadorizada realizada no período de 2011 a 2018, nas bases de dados online PubMed, BVS, Medline e Scielo. Foram consideradas publicações que abordassem a temática de cicatrização por segunda intenção, com os seguintes descritores/ Keywords extraídos do DeCS: cuidados de enfermagem, feridas e lesões e Cicatrização. Extraídos do MeSh: nursing care, wounds and injuries and wound healing. Os descritores foram analisados em conjunto.

 Foi utilizado o operador booleano (AND) e a combinação dos componentes da estratégia PICO:

(“ferimentos e lesões”) AND (“cuidados de enfermagem”) AND (“cicatrização”)

Com as publicações localizadas de acordo com os descritores, foram localizados 104 artigos e destes foi realizada uma seleção através dos filtros das bases de dados e identificadas as publicações que seriam utilizadas na pesquisa. E foram descartados artigos que destoavam do tema através dos critérios de exclusão. Informações descritas no Quadro 2.

Quadro2 – Análise e seleção dos artigos de publicações localizadas nas bases PubMed e BVS. Niterói, 2019.  Diagrama 3

 

RESULTADO:

Foram selecionadas 10 publicações das filtradas, referentes ao tema e mencionadas no quadro 3.

Quadro 3– Publicações localizadas nas bases PubMed, BVS, MEDLINE e Scielo – autor (es), país e ano, objetivo da pesquisa, população amostra, tipo do estudo, principais recomendações, nível de evidência. Niterói, 2019.  

Autor (es), país e ano

Objetivo da pesquisa

População/ amostra

Tipo do estudo

Principais recomendações

Nível de evidência

Estilo MEL, Angeles A, Perez T, Hernandez M, Valdez. M. 2012 Estados Unidos  (EUA).

Identificar inovações para os problemas dos pacientes criticamente doentes.

05 Relevância direta.

Pesquisa de evidências na literatura.

Mudança na perspectiva sobre a importância do sistema tegumentar.

2C

Araújo TM, Moreira PM, Caetano JA. 2011 Brasil.

Classificar o risco para úlcera por pressão (UP) em pacientes admitidos em unidade de terapia intensiva e identificar os fatores de risco para UP.

 

03 Relevância indireta.

Estudo transversal e quantitativo.

Grande parcela dos pacientes apresentou alto ou altíssimo risco para desenvolver UP.

 

2A

Cooper KL. 2013 EUA.

Identificar fatores que colocam pacientes criticamente doentes em risco aumentado para úlceras de pressão e aplicar estratégias baseadas em evidências para a prevenção de úlceras de pressão.

04 Relevante.

Pesquisa de evidências na literatura.

Evidenciou as atuais práticas e evidencias para intervenções destinadas a prevenir úlceras por pressão.

2C

Inoue KC, Matsuda LM 2015 Brasil.

Analisar a relação custo-efetividade de dois tipos de curativos para a prevenção de úlcera por pressão na região sacral.

03 Relevância indireta.

Pesquisa de análise secundária e comparativa.

A relação custo-efetividade do hidrocoloide para o desfecho intermediário foi maior que o filme transparente.

2B

Silva MLN, Caminha RTÓ, Oliveira S HS, Diniz ERS, Oliveira JL, Neves VSN. 2013 Brasil.

Analisar a incidência de úlceras por pressão e descrever suas características.

04 Relevante.

Estudo longitudinal e quantitativo.

Apesar dos investimentos em dispositivos para prevenção e tratamento das úlceras por pressão, estas continuam presentes na prática e com incidência significativa.

1A

Simão CMF, Caliri MHL, Santos CB. 2013 Brasil.

Avaliar a concordância entre enfermeiros quanto à avaliação e classificação de risco dos pacientes para desenvolvimento da Úlcera por pressão. 

04 Relevante.

Estudo descritivo exploratório.

Verificou-se concordância entre os enfermeiros na avaliação da Percepção Sensorial, Mobilidade, Fricção e Cisalhamento.

2A

Rolim JA, Vasconcelos JMB, Caliri MHL, Santos IBC. 2013 Brasil.

Identificar as atividades de prevenção e tratamento de úlcera por pressão, planejadas e implementadas por enfermeiros na Unidade de Terapia Intensiva, a importância atribuída às intervenções e as dificuldades encontradas para executá-las.

03 Relevância indireta.

Estudo exploratório qualitativo.

As dificuldades relatadas pelos enfermeiros apontam deficiências nos recursos humanos, em número, capacitação e falta de adesão da equipara promover conforto e segurança ao paciente.

1A

Chianca TCM, Rezende JFP, Borges EL, Nogueira VL, Caliri MHL. 2010 Brasil.

Avaliar o conhecimento dos enfermeiros sobre a prevenção da úlcera de pressão.

03 Relevância indireta.

Estudo transversal.

Confirmação que os enfermeiros têm uma compreensão geral dos princípios de prevenção e avaliação de úlceras de pressão.

2B

Souza TS, Maciel OB, Méier MJ, Danski MTR, Lacerda MR. 2010 Brasil.

Verificar a funcionalidade da Teoria do controle da Ação para identificação do risco no planejamento de cuidados preventivos de úlcera de pressão.

03 Relevância indireta.

Revisão integrativa.

A recomendação do questionário HAKEMP 90 pontuando sensibilidade e ausência do risco.

2C

Borghardt AT, Prado TN, Bicudo SDS, Castro DS, Bringuente MEA. 2015 Brasil.

Identificar a incidência e fatores associado a úlcera por pressão em pacientes críticos.

04 Relevante.

Estudo de coorte.

Ressalta elevada incidência de úlcera por pressão, suas características e medidas de prevenção.

2A

Barbosa TP, Beccaria LM, Poletti NAA. 2014 Brasil.

Identificar pacientes em risco de desenvolver úlceras de pressão (UP) em unidade de terapia intensiva (UTI), por meio de escores da Escala de Braden.

04 Relevante.

Estudo transversal prospectivo.

A relação entre a avaliação de risco e medidas preventivas não era consistente com os escores encontrados.

1A

Souza TS, Danski MTR, Johann DA, Lazzari LSM, Mingorance P. 2013 Brasil.

Avaliar a efetividade do filme transparente de poliuretano na prevenção de úlceras por pressão no calcâneo. 

05 Relevância direta.

Ensaio controlado não randomizado.

Incidência de úlceras por pressão de 32%, com 6% ocorrendo na intervenção experimental, 18% na intervenção de controle e 8% bilateralmenteincidência significante nos primeiros 15 dias de hospitalização.

2A

 

Evidências sobre o tratamento da (o) enfermeira (o) para o problema clínico: inclusão da terapêutica da (o) enfermeira (o) com base em evidência para o alcance do resultado cicatrização de ferida por segunda intenção em sete dias de internação.

Implicações para a enfermeira especialista quanto ao (Paciente de alta complexidade) Novas informações sobre (Cicatrização de ferida por segunda intenção– Cuidados com lesões) e (Curativos para proteção da ferida e prevenção de infecções) com ênfase na (Cicatrização de feridas) com base nas evidências encontradas e a força delas.

 

Histórico de enfermagem com foco no (a) paciente com cicatrização de ferida: segunda intenção

As lesões na pele podem significar morte celular de determinada área, tecido mole ou estrutura que sofreu algum trauma ou que permanece comprimida sobre uma proeminência óssea, pode também ser uma área friccionada por uma pressão isolada ou cisalhamento nos casos de pacientes internados.

O processo de enfermagem deve ser iniciado pelo Histórico, sendo a primeira etapa, trata-se da coleta de dados, onde devem ser registradas anotações relativas ao cenário atual da lesão e informações do paciente. O histórico de enfermagem deve incluir a investigação de fatores que podem estar retardando o processo de cicatrização.

Deve ser investigado:

  • A doença de base do paciente;

  • Fatores que impedem a cicatrização;

  • Utilização de antimicrobianos;

  • Origem da ferida;

  • Tempo da ferida;

  • Localização;

  • Comorbidades do paciente.5

 

Diagnóstico (s) de enfermagem NANDA e respectiva (s) opção de prescrição de enfermagem com foco no resultado cicatrização por segunda intenção

Diagnóstico de enfermagem se resume na avaliação clínica realizada pelo enfermeiro com base em problemas reais e potenciais para a validação de condutas com objetivos e busca de resultados.

A cicatrização por segunda intenção é definida quando há perda de tecido e as bordas da pele se afastam de tal forma a necessitar de tecido de granulação e epitelização para cicatrizar, podemos destacar as prescrições de enfermagem com foco na cicatrização das feridas:(quadro 4) 6, 7

Quadro 4 – Diagnóstico e prescrição de enfermagem – Niterói, 2019.

Diagnóstico de enfermagem NANDA:

Prescrição de enfermagem:

Risco de infecção.

  • Observar sinais e sintomas de infecção;

  • Observar o leito e a borda da ferida.

Dor aguda.

  • Observar a ocorrência de indicadores não verbais de desconforto, em especial nos pacientes incapazes de se comunicar com eficiência;

  • Investigar os fatores que aliviam/pioram a dor;

  • Determinar a frequência necessária para fazer uma avaliação do conforto do paciente e implementar um plano de monitoramento;

  • Administrar analgésicos, quando prescritos.

 

Integridade tissular prejudicada /Integridade da pele prejudicada.

  • Realizar curativo na área;

  • Orientar ou posicionar o paciente para um melhor fluxo circulatório;

  • Observar alterações na pele;

  • Observar sinais e sintomas de inflamação;

  • Registrar tamanho e profundidade da ferida.

 

Exames/procedimentos diagnósticos

O enfermeiro nas UTIs tem capacidade de acompanhar resultados de exames e prescreve-los quando necessário e se este for o protocolo da instituição, os exames necessários são: hemograma completo, albumina sérica, glicemia, jejum e cultura do exsudato com antibiograma. 7

 

Cuidados indelegáveis

  • Realizar avaliação clínica de enfermagem;

  • Solicitar exames laboratoriais quando padronizados;

  • Prescrever coberturas quando necessário e padronizado;

  • Executar o curativo, evitando danos ao tecido de granulação;

  • Em feridas em fase de granulação realizar a limpeza do interior da ferida com soro fisiológico em jatos;

  • Medir as bordas da ferida utilizando régua descartável, registrando altura, largura e profundidade, em centímetros.

  • Registrar o procedimento executado no prontuário, caracterizando detalhes como tipo de tecido, aspecto da ferida, queixas e conduta;

  • Capacitar, orientar e supervisionar a equipe de enfermagem nos procedimentos atribuídos relacionados aos curativos;

  • Orientar e capacitar cuidadores quando estes forem responsáveis pela continuidade do cuidado do paciente após a alta, com o objetivo de evitar a reinternação. 8, 9

 

Cuidados delegáveis para a equipe técnica de enfermagem•

  • Posicionar o paciente permitindo a visualização adequada da ferida evitando expor desnecessariamente o paciente;

  • Preparar o local do curativo e o material a ser utilizado;

  • Orientar paciente (se possível) e familiar quanto ao procedimento a ser executado.8, 9

 

Tratamento farmacológico & Tratamento não farmacológico

Quando necessário na ferida com cicatrização por segunda intenção pode ser utilizado o desbridamento, o enxerto de pele no local, ou uso de agentes biológicos. Com o uso da terapia adequada pretende-se que ocorra a migração de queratinócitos e a restauração apropriada das proteases, cujo resultado é o avanço das bordas da ferida.7, 8

Algumas substâncias que podem ser utilizadas de acordo com a avaliação da ferida:

  • AGE que tem ação de regeneração dos tecidos acelerando o processo de cicatrização. Indicação: lesões abertas com ou sem infecção.

  • Alginato de Sódio e cálcio com ação em fibras altamente absortivas. Promove ambiente úmido, auxilia desbridamento, promove hemostasia. Indicação: feridas abertas e lesões cavitárias com grande exsudação e sangrantes.

  • Hidrogel com ação que proporciona ambiente úmido, evita ressecamento, desbrida áreas de necrose Indicação: feridas limpas não infectadas, com áreas necróticas.

  • Hidrofibra com Prata Iônica com ação curativa superabsorvente; gel macio e coesivo que se adapta ao leito da ferida e mantém o ambiente úmido, ideal para a cicatrização e controle do excesso de exsudato, promove desbridamento autolítico com a remição natural do tecido desvitalizado.5, 8

 

Novas tecnologias e produtos auxiliam na cicatrização por segunda intenção. Destaca-se um estudo em teste, realizado em ratos, que descreve um fitoterápico do extrato da casca do barbatimão com compostos fenólicos que conferem um conjunto de ações antioxidantes e antimicrobianas. Concluiu-se que o uso do barbatimão foi eficiente na supressão da resposta inflamatória, não tendo resposta satisfatória na atenuação da cicatrização quando utilizada na concentração a 10%, o autor propõe novas pesquisas visando encontrar a concentração adequada para a otimização da cicatrização por segunda intenção. 10

 

Plano de Cuidados - uma sugestão para o alcance do resultado cicatrização: segunda intenção em 7 dias de internação

Diagnóstico de enfermagem

Meta

Intervenções

Resultados esperados

Risco de infecção.

O paciente deverá estar livre de processos de infecção durante a hospitalização.

Observar manifestações de infecção (ex.: febre e secreção).

 

Realizar curativo com soro fisiológico.

 

O paciente não apresentará complicações relacionadas a ferida.

Dor aguda.

O paciente deverá verbalizar ou transparecer alívio, se possível relatando fatores que diminuem a dor.

Observar a ocorrência de sinais não verbais de desconforto, em especial nos pacientes incapazes de se comunicar com eficiência;

 

Investigar os fatores que aliviam/pioram a dor;

 

Determinar a frequência necessária para fazer uma avaliação do conforto do paciente e a implementar um plano de monitoramento;

 

Administrar analgésicos, quando prescritos.

O paciente demonstrará melhora nos sinais ou na verbalização relacionada à dor.

Integridade tissular prejudicada/ Integridade da pele prejudicada.

Assegurar que o paciente receba cuidados suficientes e precisos para a cicatrização.

Avaliar diâmetro da lesão a cada curativo;

 

Orientar ou posicionar o paciente para um melhor fluxo circulatório;

 

Observar alterações na pele;

 

Observar sinais e sintomas de inflamação;

 

Avaliar profundidade da ferida;

 

Avaliar o aspecto da ferida para escolha da cobertura adequada.

Evidências da cicatrização da ferida em sete dias.

 

Indicadores do resultado cicatrização de ferida em alta complexidade:

  • Tecido de granulação

  • Formação de tecido cicatricial

  • Diminuição do tamanho da ferida

  • Inflamação da ferida

  • Necrose 6, 7, 8

 

A verificação dos indicadores permite a descrição e mensuração dos resultados obtidos com a prática, podendo identificar a principal e mais praticada intervenção. Demonstra o resultado de evidências baseadas na prática da enfermagem. 6, 7, 8

 

CONCLUSÃO:

 

Pacientes complexos adultos/idosos internados em unidades de terapia intensiva são susceptíveis a terem a integridade da pele prejudicada, e também é factível que com medidas adequadas a cicatrização pode ser acelerada, com utilização de coberturas ou com acompanhamento adequado.

Apesar dos recursos existentes, a cicatrização por segunda intenção em sete dias representa um desafio constante para profissionais de enfermagem. Devido a este fato, a capacitação técnica e a responsabilidade do enfermeiro na avaliação e controle de fatos e dados relacionados a ferida são primordiais.

Este estudo contribuirá para a confirmar que, o enfermeiro ao programar medidas, perceber como a lesão se desenvolve, as causas, fatores de risco, ocorrências e prevalências está buscando resultados e interpretando fatores fundamentais.

Os resultados estão ligados diretamente ao enfermeiro e seu processo, este procedimento permite a sugestão, a realização e a implementação de novos protocolos e programas de educação.

São definidas como diretrizes da prática de enfermagem intensivista/ interprofissional e baseada em evidência com foco na cicatrização por segunda intenção para o paciente de alta complexidade:

  • Todos os pacientes com algum tipo de lesão devem ser considerados clinicamente relevantes, devem ser avaliados e monitorizados;

  • Todos os procedimentos devem ser realizados conforme a técnica escolhida;

  • Os pacientes devem ser avaliados diariamente, para registro da evolução da lesão;

  • O paciente com lesão que apresenta cicatrização por segunda intenção tem a necessidade de acompanhamento do enfermeiro.

O roteiro de avaliação e tratamento de feridas pode ser feito em equipe, e é uma oportunidade para a sistematização da assistência de enfermagem. A avaliação das lesões deve ser interdisciplinar e seu tratamento deve ser um diálogo amplo entre os profissionais, realizando a validação e levando em conta aspectos, físicos e sociais do paciente.

Novas pesquisas são necessárias para o aprofundamento das tecnologias, experiências sempre irão corroborar para aprimorar práticas já conhecidas.

 

REFERÊNCIAS:  

 

  1. 1. PACHA, Heloisa Helena Ponchio et al . Lesão por Pressão em Unidade de Terapia Intensiva: estudo de caso-controle. Rev. Bras. Enf PACHA, Heloisa Helena Ponchio et al . Lesão por Pressão em Unidade de Terapia Intensiva: estudo de caso-controle. Rev. Bras. Enferm.,  Brasília ,  v. 71, n. 6, p. 3027-3034,  Dec.  2018 . Acesso em: 01 dez. 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672018000603027&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

 

  1. 2. BAVARESCO, Taline; LUCENA, Amália de Fátima. Intervenções da Classificação de Enfermagem NIC validadas para pacientes em risco de úlcera por pressão. Rev. Latino-Am. Enfermagem,  Ribeirão Preto ,  v. 20, n. 6, p. 1109-1116,  Dec.  2012 . [Acesso em 01 Dez. 2019]. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-1692012000600013&script=sci_arttext&tlng=pt >

 

  1. 3. BRITO KKG de, Sousa MJ de, Sousa ATO de et al. Feridas crônicas: abordagem da enfermagem na produção cientifica da pós-graduação. Revenferm UFPE online., Recife, 7(2):414-21, fev., 2013. Acesso em: 01 dez. 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/10250/10863

 

  1. 4. OLIVEIRA IC, Veríssimo RCSS, Bastos MLA et al. A frequência dos diagnósticos de enfermagem em pacientes com feridas. Revenferm UFPE online., Recife, 8(7):1937-46, jul., 2014. Acesso em: 01 dez. 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/9869/10101

 

  1. 5. GALDINO JÚNIOR, Hélio et al. PROCESSO DE ENFERMAGEM NA ASSISTENCIA A PACINETES COM FERIDAS EM CICATRIZAÇÃO POR SEGUNDA INTENÇÃO. Cogitare Enfermagem, [S.I.], v.23, n, 4, Nov.2018 Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/56022/pdf Acesso em: 01 dez. 2019.

 

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